Complicada, eu??
SEXO FRÁGIL SIM, QUANDO EU QUISER! E DAÍ????


Sábado, Março 06, 2004

É muito fácil tudo ser apenas uma grande mentira...

De onde vem todas estas certezas que eu grito aos quatro ventos?
Vem de fora ou de dentro de mim?

Quando ouvi ontem: "ele é muito mais importante pra você do que você pra ele..." , concordei. Mas ainda assim a idéia não me abandona: É muito fácil tudo ser apenas uma grande mentira...

Eu acumulo provas ou alimento ilusões?

Tem coisas que doem só de imaginar...

posted by Manga Rosa| 10:07 PM

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Terça-feira, Março 02, 2004

Amanhã acaba a mamata.
E desta vez de uma vez por todas!
Quem diria...

Me despeço de coisas boas - muito boas - como os períodos regulares de visitas em casa, estes momentos doces onde meu coração descansa e aure forças. Me despeço de coisas tristes como aquelas longas tardes atoa em casa, sozinha com meus pensamentos. Nunca aprendi a lidar com a tal da solidão, com o silêncio ou as saudades.
Me despeço então dos momentos vazios, quero dias bem cheios de trabalho! Quero, ao abrir minha boca para reclamar do estresse, lembrar-me das manhãs e tardes vazias, e agradecer a Deus o cansaço do corpo.

Volto pro sul cheia de pesar de deixar esta família amada sem saber quando volto novamente. Mas volto cheia de ânimo pra nova jornada, como se apenas agora tudo fosso começar.

Amanhã tudo acaba...
Mas acabando, tudo começa...

posted by Manga Rosa| 11:12 AM

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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

As vezes tenho vontade de fazê-lo sentir tudo o que sinto.
Mas não consigo...

Fazê-lo sentir este amor que chora na noite enquanto sorri no dia. Que carece e não ganha. Que deseja muito calado, mas aprendeu a festejar o pouco se convencendo de que este pouco, pode ser o tudo dele. Que poda suas exigências e prefere se abrir com ninguém a tecer velhas reclamações.
Este amor que ganha sementes e as faz árvores. Que encontra mil justificativas para continuar sendo amor.
Este amor que se sabe construído e não mágico. E que se pune por ter sido feito assim com tanto sacrifício, subjugando dúvidas e ignorando opções e hoje, se acha grande demais para simplesmente ser esquecido.

Meu amor quer...
Quer muito, muito. Muito mais do que tem.
Caprichoso, ele quer ser amado igual.
Mesmos mimos, carinhos, dengos.
E, sem isso, ele deseja punir.

Queria fazê-lo sentir o que sinto.
Fazê-lo experimentar um pouquinho destas vontades, deste desejo angustiante.
Mas não consigo, pois, por mais que eu represente um papel "frio", o que há em mim transborda...



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Sexta estou indo pra casa novamente. Será uma despedida destas longas férias. Como a vida é cheia de escolhas, o novo trabalho irá suprimir meus dias felizes de longos descansos em casa. Mas não vou reclamar.
O carnaval será entre amigos e Ituiutaba até segunda. Depois, uma semana de colo de mãe.
E ele? Vai ficar aqui na Loiroslândia.
Férias dele novamente!

posted by Manga Rosa| 9:24 AM
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Domingo, Fevereiro 15, 2004
Se às vezes me afasto, é porque tenho meus motivos.
Ou melhor, é que me faltam os motivos.
Não sei o que sinto ou o que penso.
Cessada a ebulição, chegam os momentos de espera. Talvez eu já esteja vivendo amanhã.
Ou talvez apenas esperando sexta, quando vou novamente pra casa.

A ALEGRIA MANSA
(trecho)
Pois a hora escura, talvez a mais escura, em pleno dia, precedeu essa coisa que não quero sequer tentar definir. Em pleno dia era noite, e essa coisa que não quero ainda tentar definir é uma luz tranqüila dentro de mim, e a ela chamariam de alegria, alegria mansa. Estou um pouco desnorteada como se um coração me tivesse sido tirado, e em lugar dele estivesse agora a súbita ausência, uma ausência quase palpável do que era antes um órgão banhado da escuridão diurna da dor. Não estou sentindo nada. Mas é o contrário de um torpor. É um modo mais leve e mais silencioso de existir.

Mas estou também inquieta. Eu estava organizada para me consolar da angústia e da dor. Mas como é que me consolo dessa simples e tranqüila alegria? É que não estou habituada a não precisar de consolo. A palavra consolo aconteceu sem eu sentir, e eu não notei, e quando fui procurá-la, ela já se havia transformado em carne e espírito, já não existia mais como pensamento.

Vou então à janela, está chovendo muito. Por hábito estou procurando na chuva o que em outro momento me serviria de consolo. Mas não tenho dor a consolar.

Ah, eu sei. Estou agora procurando na chuva uma alegria tão grande que se torne aguda, e que me ponha em contato com uma agudez que se pareça com a agudez da dor. Mas é inútil a procura. Estou à janela e só acontece isto: vejo com olhos benéficos a chuva, e a chuva me vê de acordo comigo. Estamos ocupadas ambas em fluir. Quanto durará esse meu estado? Percebo que, com essa pergunta, estou apalpando meu pulso para sentir onde estará o latejar dolorido de antes. E vejo que não há o latejar da dor. Apenas isso: chove e estou vendo a chuva. Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e eu chegássemos a esse ponto de trigo. A chuva cai não porque está precisando de mim, e eu olho a chuva não porque preciso dela. Mas nós estamos tão juntas como a água da chuva está ligada à chuva. E eu não estou agradecendo nada. Não tivesse eu, logo depois de nascer, tomado involuntária e forçadamente o caminho que tomei - e teria sido sempre o que realmente estou sendo: uma camponesa que está num campo onde chove. Nem sequer agradecendo a Deus ou à natureza. A chuva também não agradece nada. Não sou uma coisa que agradece ter se transformado em outra. Sou uma mulher, sou uma pessoa, sou uma atenção, sou um corpo olhando pela janela. Ela é uma chuva. Talvez seja isso que se poderia chamar de estar vivo. Não mais que isto, mas isto: vivo. E apenas vivo é uma alegria mansa.
(Clarice Lispector)

posted by Manga Rosa| 8:54 AM

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Domingo, Fevereiro 08, 2004
Estou novamente com aquela estranha sensação que me acomete ao conquistar algo muito desejado. É uma alegria meio boba, uma estranheza com o novo, como se tudo fosse um sonho.

Finalmente o emprego que planejei ter há dois anos atrás...

Ao invés da sensação de orgulho ou vitória que coroa os vencedores, o que carrego é uma grande gratidão. Ao invés de "eu consegui", só sei dizer "eu ganhei, fui abençoada". Nada fiz além de desejar. Desejar com um desejo forte, que às vezes esmorecia para brotar novamente.
De alguma forma sinto que estou me libertando, embora não saiba bem de que. E às vezes me parece bobagem estes marcos que traçamos nas nossas vidas. O que vai mudar realmente?
Amanhã, vou ter que avisar no trabalho sobre o abandono das aulas dentro de um mês. Também precisarei desistir do mestrado. E dá um frio na barriga esta mudança de rumos. Abandonar ou talvez adiar a carreira acadêmica que me surgiu à frente com tanta facilidade desde o começo, quando tantas portas se abriram sem grandes esforços, tantas pessoas me ajudaram e eu, sempre insistindo no outro caminho, sempre reclamando.
Como se eu tivesse vencido Deus pelo cansaço, temo ter escolhido o pior, mas sinto que preciso da experiência. Principalmente porque estou muito ansiosa para ajudar minha família.
E espero que Ele me abençoe e proteja nesta nova fase, neste novo trabalho.

Em oito Março, se abre pra mim outro mundo.

Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação,
existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento
mata inúmeras idéias e planos esplêndidos:
é que no momento em que nos comprometemos definitivamente,
a Providência move-se também.
Toda uma corrente de acontecimentos
brota da decisão,
fazendo surgir a nosso favor
toda a sorte de incidentes, encontros e
assistência material
que nenhum homem sonharia que
viesse em sua direção.
(Goethe)


posted by Manga Rosa| 12:28 PM

posted by Manga Rosa| 1:34 PM

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Sábado, Janeiro 31, 2004

Sexta-feira, Janeiro 30, 2004
Sempre me tocaram mãos bem cuidadas, cultas...
Mas "aquela" mão pareceu-me deliciosamente sedutora.
Pousada na criança adormecida... mão jovem... de pele clara... judiada do sol. Unhas bem formadas, um pouco encardidas... mão trabalhadora... simples... com alguns arranhões... Máscula... viril... deve ter uma pegada forte... Talvez saiba também ser macia e doce... apreciar temperadamente o corpo de uma mulher...
As mãos que me tocaram sempre foram delicadas, cultas... mas "aquela" mão eu desejei...

posted by Manga Rosa| 7:11 PM
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Quinta-feira, Janeiro 29, 2004

"Tem cuidado com o que pedes, porque o receberás."

"...Tenho visto isso ocorrer muitas vezes em minha vida e na vida de gente que conheço. Tentei encontrar alguma pessoa que não tenha recebido o que pediu mas, até agora, não encontrei. Creio que tudo o que desejamos em sonhos se abre algum dia à nossa experiência. O mundo é como é porque o desejamos que seja. Somente na medida em que mudam os nossos desejos muda o mundo."
Richard Bach

Se há momentos de extrema fraqueza em que me esqueço de tudo e sou capaz de mergulhar em desânimo e desespero, há também os momentos em que posso entrar e colher do que há em mim. Uma chama que nunca apaga, se agiganta quando dela necessitam ou quando estou bem, tranqüila, como nestes dias.
A separação nunca foi tão leve e a esperança nunca foi tão doce.
Talvez eu possa tocar com as pontas dos dedos o que há quase dois anos tenho buscado... mas ainda não é meu...
Estou ansiosa, torcendo por mim mesma, pedindo a Deus que este sonho, desta vez, se torne realidade. Por mim, por todos que eu deixei necessitados de ajuda, chega de decepções, chega de pedras no meu caminho.
Talvez só agora eu tenha merecimento, ou talvez Ele quisesse me ensinar algo neste longo percurso.

Será que eu aprendi?

posted by Manga Rosa| 11:34 AM
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Terça-feira, Janeiro 27, 2004
Poisé, né, cheguei.

Só agora 2004 começou pra mim.
Ano novo, vida nova...
Vinte e cinco anos redondos nas costas...
Se Deus quiser um trabalho novo em Março e, se assim for, mês que vem vou escrever minha lista de planos.

posted by Manga Rosa| 10:58 AM
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Sábado, Janeiro 24, 2004
Muitas coisas aconteceram esta semana.
De repente parece que um furacão passou em minha casa, em minha vida, dentro e fora de mim.
Agora só quero sossego.
Elas se foram e eu resolvi ir apenas amanhã - 25 de janeiro - meu aniversário.
Pelo menos poderei comemorar metade dele em casa e apenas a outra metade na estrada.... rs.....
Risos pra não chorar....
Sim, é hora de respirar fundo e começar tudo de novo. É hora, novamente, de ter coragem, de sair do meu mundo, me separar de tudo e todos que amo, viver minha vida... Acho que já escrevi isso antes.....
As longas férias compensaram o longo afastamento, repuseram minhas energias, trouxeram sensações novas e afirmações.
Algumas situações tentaram confundir meu coração, mas percebi que mesmo não sabendo o que quero, ou se quero o que tenho, sei bem o que não quero. Não quero mais lutar por ilusões, palavras bonitas ou promessas sem chão. Nada além além de uma massagem no meu ego ou vaidade feminina é acrescentado...
No mais, estou com saudades dele.
E como adoro sentir saudades!
Sentir saudades me faz acreditar que algo de muito bom existe, algo que preciso ainda que tenha todas as outras coisas.
Um motivo pra me sentir menos triste ao voltar pra "casa"......

posted by Manga Rosa| 7:11 PM
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Terça-feira, Janeiro 20, 2004
As colegas do sul estão aqui em casa.
Três mulheres! E eu não vejo a hora disso tudo terminar.
Que idéia esta minha: a última semana em casa, eu querendo curtir a família e os amigos e TO-DOS os meus minutos têm que ser dedicados às visitas.
Quando levo amigos daqui para lá estou levando o meu mundo pra perto de mim. Mas o que eu fui fazer? Com as meninas vieram tudo que eu mais detesto de lembrar: os papinhos catarina, o sotaque catarina, o mundinho catarina....... ai meu deus! Que merda!
Agora é tolerar e aproveitar o que der pra aproveitar: dançar muito, passear e rir, nem que seja desta minha cara de tacho.

P.S.: E nesta toada já se passaram meu último domingo, minha última segunda e minha última terça em casa...... que tristeza!!!!

posted by Manga Rosa| 4:52 PM
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Domingo, Janeiro 18, 2004

Hoje fiz uma coisa da qual deveria me arrepender...
... se não fosse tão orgulhosa.



Talvez eu tenha me dado o luxo de extravasar um ciúminho besta que nem sei se sinto.
Um sentimentozinho ridículo - que tantas vezes critiquei - me invadiu, perdi meu ar superior e me tornei não uma "armadora de barracos" - pior - tornei-me uma grossa.
Agi impulsivamente e fui muito mal educada com ele: desliguei o telefone na sua cara.
Ai, que merda....... eu não me perdôo por este deslize! Me sinto desarmada e, como uma criança que fez arte, quero me esconder do dia seguinte, da conversa seguinte.
Uma mistura de saudades, com necessidade de conversar, com desencontros, com um deboche incontrolável de um colega dele (dono do celular) que me fez explodir.
E se eu queria dar um tapa na cara daquele colega idiota, por que desliguei na cara dele?
Hum! Mas pensando bem, foi ele quem causou esta situação. Se tivesse mais consideração nada disso teria acontecido. Afinal, morar juntos não é viver um namorico de duas semanas!


posted by Manga Rosa| 2:04 AM
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Sexta-feira, Janeiro 16, 2004
Família pode ser sinônimo de companhia, conselhos, apoio, amizade, companheirismo, carinho, amor...
Mas família também é sinônimo de "picuinha"! (Será que esta palavra existe, ou só se fala aqui em casa?)



Isso me deixa muito brava!
E olha que pra mineiro ficar bravo....



posted by Manga Rosa| 3:04 PM

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Sábado, Janeiro 10, 2004
As noites de "solteira" tem me dado sensações que ainda preciso experimentar.
Futilidades e interesses banais que alimentam meu lado mundano - principalmente minha vaidade - ou que me abrem os olhos para os verdadeiros valores da vida.
São muitos... muitos apertos de mão e palavras jogadas ao vento...
E toda aquela ânsia pelo diferente, pela paixão e pelo excitante, vai esmorecendo diante desta pobreza de alma do ser humano.
Uma sensação frustrada de conformismo diante da minha situação me invade quando observo quantas coisas piores existem à volta.
As pessoas não buscam mais as pessoas... buscam sensações... isso é triste.
E talvez meu coração nunca encontre um repouso maior do que o que tenho. E os sonhos sejam só sonhos.
E após três semanas visitando boates e bares, uma única pessoa me foi aprensentada por um amigo e me cativou.
Algo me diz que seremos bons amigos, pois, coincidência ou destino, ele está bem próximo de mim, em Curitiba.
Tenho pouco a dizer, pois afinidade não se justifica.

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

(Fernando Pessoa)


posted by Manga Rosa| 5:11 PM

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Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
Por mais que eu tente evitar, estes momentos sempre retornam.
Isto que dá eu fugir de mim mesma, tentar expulsar o que me habita e consome.
E estes momentos não são fáceis. São cheios de maus presságios. Como se o meu destino fosse este e me restasse apenas aceitá-lo.
"Droga", eu penso. Viver é muito complicado.
E mesmo que o mais simples não seja o melhor, é o mais cômodo.
Eu amo comodamente e invento emoções.
Isso me faz bem e mal ao mesmo tempo.
E só torço pra que um dia eu não me surpreenda amarga e desiludida.

posted by Manga Rosa| 1:59 AM
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Terça-feira, Janeiro 06, 2004
Amanhã ela vai ao médico. E não sei se estou preparada para o futuro.
De uma forma ingrata percebo que não estou totalmente feliz. Embora esteja tranquila, existem muitas dores e problemas em volta me preocupando.
Quando se sai de casa aprende-se a observar com mais clareza as situações e atitudes.
Muitas coisas poderiam ser mais fáceis se....

Dói ver que o tempo passa e nada muda. As pessoas não mudam...
Dói saber que minha situação financeira ainda me ata ao papel de expectadora...
Dói saber que muitas coisas vão passar antes que eu possa fazer algo...
Muitas coisas vão passar...

E amanhã ela vai ao médico...

posted by Manga Rosa| 12:42 AM
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Domingo, Janeiro 04, 2004
Ele já ligou.
Uma casa vazia e mal-cheirosa foi o que encontrou há alguns minutos...
E eu disse: "Ainda bem que tem as gavetas cheias de chocolate das cestas de natal!"

posted by Manga Rosa| 5:55 PM

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Sexta-feira, Janeiro 02, 2004
Tudo foi mais perfeito do que pude esperar.
Reveilon com os amigos espalhados por este Brasil, muitos abraços e emoções.
Não posso esquecer: muito amor também.
Mas hoje ele se foi.
E eu percebo que não sei mais viver sem saber o que é saudades. De uma forma ou de outra este sentimento me acompanha, burilando lentamente meus arroubos e imediatismos, minha ansiedade e exigencias.
Mas o importante é que ficaram as recordações gostosas, beijos, carinhos, promessas...
E eu diria que nosso 2004 começou com pé direito.

A IMAGEM REFLETIDA

Vem de antes do sol
A luz que em tua pupila me desenha.
Aceito amar-me assim
Refletida no olhar com que me vês.

Ó ventura beijar-te,
espelho que premido não estilhaça
e mais brilha porque chora
e choro de amor radia.

(Adelia Prado)


posted by Manga Rosa| 9:14 PM

posted by Manga Rosa| 1:30 PM

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Sábado, Dezembro 27, 2003

Sábado, Dezembro 27, 2003
Os sábados voltaram a ser sábados!!!!


posted by Manga Rosa| 6:28 PM
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Quarta-feira, Dezembro 24, 2003
Uma brisa leve sopra dentro de mim... Estou, finalmente, tranquila.
Um estado de paz que há meses não experimentava e todas as emoções, os perfumes, os encontros, os sorrisos de natal...
Isso é paz. E só hoje sei o valor desta sensação. Deste envolvimento familiar tão doce e aconchegante.
Estou em paz.
Encontrei minha avó bem fraquinha e meu coração se aperta ao pensar que dia 06 virá uma sentença de morte ou um grande alívio. Mas não vou pensar nisso agora. É natal e estou com ela.
Os amigos estão tão próximos e me fazem muito feliz. Os telefonemas... os abraços... as mensagens dos amigos do blog...
Que bálsamo!

Tudo em mim hoje é uma prece de muito amor e agradecimento.

posted by Manga Rosa| 9:51 PM

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Domingo, Dezembro 21, 2003
É engraçado voltar a uma vida que não é mais nossa. Mergulhar lentamente nos problemas de família dos quais estávamos tão afastados e perceber que toda a capacidade de nos envolvermos, de sentir e compartilhar está toda dentro de nós.

Ainda estou na casa da mãe dele e, pelo visto, só amanhã à noite abraçarei os meus... Aqui também existem problemas e o natal não será tão feliz.

Tudo aqui dentro está silencioso, respiração lenta e pesada, sorriso tristonho. Estou meio anestesiada. Esperando o futuro.

Após dois dias, às vezes fecho os olhos e penso se não é tudo um sonho do qual eu posso acordar. Gostaria de chegar em casa e abraçar minha avó sem este peso de toneladas nas costas. Sem esta angústia entalada na garganta.

Eu queria que este natal fosse como os outros. Eu queria que todos estivessem realmente felizes e saudáveis.

E ao lembrar que há sete dias escrevi um post iniciando minha contagem regressiva, um desejo muito grande de encontrar tudo como deixei me assaltou. E vejo que era uma espécie de pressentimento velado aquela ansiedade.

Infelizmente, nesta vida, a gente sempre se prepara para o melhor e não para o pior...

posted by Manga Rosa| 6:54 PM
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Sexta-feira, Dezembro 19, 2003
Estou indo pra casa, como quem vai se despedir da vida que sempre teve.
Talvez o último natal, talvez o último ano novo e esta sensação horrível de um futuro certo e sombrio. Como devo me comportar diante da certeza de uma última alegria? Como vou olhar aqueles olhos sem chorar? Quantas vezes mais eu os verei abertos após voltar?
Nada é capaz de me consolar ou me fazer sorrir. Como vou conseguir abraçá-la, voltar-lhe as costas e voltar pra este lugar? A data está tão longe e eu já sinto todas as dores a cada pensamento.
Um grande vazio me toma imaginando que a luta pode recomeçar e que desta vez a derrota é certa e eu vou estar longe, não vou segurar-lhe a mão ou velar-lhe o sono....
Meu Deus, que desespero........

posted by Manga Rosa| 10:52 PM
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Esta vida é irônica. Alegria suprema e dor infinita em menos de três horas...
Esta vida é muito irônica.

Eu deveria estar comemorando agora. Chegado em casa, feito uma prece de agradecimento à Deus. Deveria estar num show, entre amigos. Deveria dormir sorrindo, com aquela afliçãozinha gostosa que sinto quando não consigo me controlar e começo a pular e gritar como uma criança feliz.

Sim... eu consegui...
Depois de um ano e meio, eu consegui...
Era tudo que eu desejava e eu consegui...

E, de repente, o que isso importa?

Por que minha mãe foi tão imprudente em me dar a notícia de uma maneira tão cruel? Por que ela quis me agoniar desta forma se faltam apenas dois dias para eu estar em casa e enquanto tudo não passa de hipótese? E agora, enquanto eu escrevo, quem vai enxugar minhas lágrimas? Quem vai sossegar este desespero sufocado?

Todos os dias eu me preparo para este momento e hoje eu vi que não estou preparada merda nenhuma. E quem pode se preparar para perder a pessoa que mais ama nesta vida? Todos os pensamentos desesperados me ocorrem. Uma fraqueza de espírito me invade e eu só consigo chorar, chorar, chorar...

Uma ebulição de perguntas! Aquelas perguntas sem sentido e sem resposta que todos fazemos em horas de dor. Muitos "Por quês" apesar da razão tentar me convencer que Deus é sempre justo. E eu sinto vontade de blasfemar e gritar com este Deus que me dá tudo e tenta me tirar o que de mais valoroso eu tenho...

"Ó meu Deus..." - então imploro humildemente - " ... não deixe que isso seja verdade..."

Hoje eu tive uma amostra de como vai ser o dia mais triste da minha vida...

(Ontem 23:00....)

posted by Manga Rosa| 7:15 AM
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Segunda-feira, Dezembro 15, 2003
Meu coração está metade em casa e metade no futuro que anseio, não sobrando nada neste presente que, de presente só tem o nome. Sexta-feira-sexta-feira-sexta-feira... não consigo pensar em mais nada. Dá aquele frio na barriga e só desejo que tudo fique exatamente como está até que eu chegue: vivos, felizes, com saúde.
E o resultado da entrevista? (Afff.... é muita angústia pra uma pessoa só). SEXTA-FEIRA também!
Talvez aquele filme (Simplesmente Amor) tenha criado esta ebulição em mim... Está tudo latejando, estou inquieta, sensível.
E além de TUDO, e como se não bastasse TUDO, é NATAL!!!!!!!!!

Querem coisa pior que clima de Natal pra quem está longe de casa?



posted by Manga Rosa| 4:45 PM

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Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
Consegui passar em um mestrado e fiz duas entrevistas para emprego esta semana. E apesar de conhecer as terríveis conseqüências de uma frustração, já estou novamente cheia de esperanças por uma vida nova.
É assim que sou: ou em desânimo completo ou em completa alegria, preciso de pouco para ser feliz e de pouco para estar triste também. Este grande defeito, esta impulsividade constante, tem causado ao meu estômago muitas dores e começo a acreditar que pode ser uma gastritezinha sempre (quase diariamente) aliviada às custas de remédio.

P.S.: Hoje começa a contagem regressiva para sair da Loiroslândia. Faltam só SETE dias... a semana mais comprida de tooooooooooooooda minha vida.

posted by Manga Rosa| 9:21 AM

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Terça-feira, Dezembro 02, 2003


Domingo fui em busca de tranqüilidade.
E mesmo com duas companhias (ele e mais um amigo) eu estava só e nenhum espírito aventureiro me inspirou quando sugeri que percorrêssemos uma trilha de cachoeiras. Eu apenas queria um refrigério, queria paz e distância de tudo que me é tão comum e me faz agitada.
Felizmente o caminho estava interditado à 4ª cachoeira, pois o preparo físico (inexistente) com certeza não me deixaria atingir a 14ª.
Fiquei surpresa com aquele lugar deserto que, a quem interessar, chama-se Corupá. E me joguei ali naquelas pedras com todos meus sentidos absorvidos por um espetáculo que tão poucas vezes pude apreciar. O vento fresco que trazia uma chuvinha fininha da água revolta para me molhar o rosto, o cheiro de nada, o barulho da queda e dos pássaros, os paredões verdes... tudo perfeito.
Fiquei ali parada, sentada, sentindo. As lágrimas vieram e abri todo meu coração para Deus. Pedi a Ele que me faça forte como aquelas águas que tudo vencem. Que não me deixe abater ou desviar. Que não seja impedida por meus medos de ser feliz e de crescer...
E então entreguei a toda aquela natureza grandiosa o meu pedido. Depositei ali minhas dores, receios e desejos como quem desabafa com um mãe e sei que fui ouvida.
Trouxe comigo muita paz e, embora me sinta cansada pelo desespero infrutífero que crio e que serve apenas para me exaurir as forças, tento enxergar novamente o lado bom das coisas.

E ontem o telefone tocou com uma boa notícia. Estou quase sendo aceita em um mestrado. Área diferente da dele, o que me deixa meio apreensiva. Esqueci o que é estudar e correr atrás das coisas sozinha. Mas talvez o que parece ser uma sentença de solidão ainda maior, já que ele ficará totalmente absorvido pelo trabalho e pelo mestrado, seja minha chave para liberdade, pare reencontrar minha força e capacidade.
Como na história da vaquinha.... talvez ele seja a minha vaquinha...


P.S.: Para quem não conhece a história da vaquinha....

Um Mestre da sabedoria passava por uma floresta com seu fiel discípulo, quando avistou, ao longe, um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita. Durante o percurso ele falou ao aprendiz sobre a importância das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, mesmo com as pessoas que mal conhecemos.

Chegando ao sítio, constatou a pobreza do lugar. Sem saneamento, casa de madeira. Os moradores; um casal e 5 filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas. O Mestre aproximou-se do senhor, aparentemente o pai daquela família e perguntou:

-Neste lugar não há sinais de pontos de comércio e de trabalho. Como o senhor e a sua família sobrevivem?

E o senhor calmamente respondeu:

- Nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros de alimentos e a outra parte produzimos queijo e coalhada para nosso consumo. Assim vamos sobrevivendo

O Mestre agradeceu a informação, contemplou o lugar por alguns momentos, despediu-se e foi embora. No meio do caminho, voltou-se para seu fiel discípulo e ordenou:

- Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e empurre-a, jogue-a lá embaixo.

O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato da vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família, mas, como percebeu o silêncio absoluto do Mestre, cumpriu a ordem. Empurrou a vaquinha precipício abaixo e a viu morrer.

Aquela cena ficou marcada em sua memória durante anos. Atormentado pela cena, resolveu largar tudo o que estava fazendo, muitos anos depois, e voltou àquele lugar decidido a contar tudo e implorar perdão à família.

Ao se aproximar do local, avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, carros na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Sentiu-se triste e desesperado imaginando o triste fim que tivera aquela humilde família, após o fatal "acidente" com a vaquinha. Ao chegar no portão, foi recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há alguns anos atrás. O caseiro respondeu:

- Continuam morando aqui.

Espantado ele entrou correndo na casa e viu que era mesmo a família que visitara antes com o Mestre. Elogiou o local e perguntou ao homem:

Como o senhor melhorou este sítio e está tão bem de vida agora?

O senhor entusiasmado, respondeu:

- Nós tínhamos uma vaquinha que caiu no precipício e morreu. A partir de então, tivemos que fazer outras coisas, desenvolver novas habilidades que não sabíamos possuir, e assim alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora

Todos nós temos uma vaquinha que nos dá alguma coisa básica para a sobrevivência e convivência com a rotina. .


posted by Manga Rosa| 6:22 PM

posted by Manga Rosa| 1:27 PM

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Sábado, Novembro 29, 2003

Sábado, Novembro 29, 2003

Sempre ouvi dizer que "se não nos amamos, não sabemos amar ninguém". E o que de tão simples parecia não fazer sentido, concluí ser um aprendizado muito custoso.
Hoje, talvez tenha sido colocada à prova em grau máximo com minha capacidade de suportar estas adversidades que, com certeza, são várias vezes multiplicadas por este amontoado de sentimentos e pensamentos destrutivos que tenho alimentado. E reconheço: não estou conseguindo reverter este quadro.
Um abatimento profundo caiu em minh'alma depois de mais este insucesso e não sei onde estão as forças para reagir. Minha cabeça dá mil voltas e mesmo assim só descansa no desespero e em seguida na prostração.
Somado a isso, a felicidade dele me rebaixa ainda mais e me desprezo por esta atitude egoísta, à primeira vista invejosa, que não posso disfarçar.
Mas Deus sabe, não é inveja ou egoísmo. Talvez eu seja quem mais lhe quer ver feliz. É apenas a sensação de que não sirvo para ele, não consigo acompanhar-lhe os passos e me vejo, dia-a-dia, como um peso conduzido, apesar de tudo, com desvelo e carinho.
Envergonho-me cada vez que ele, pacientemente, me pergunta o que foi ou que algum amigo me pergunta por que estou triste. Ele não merece esta mulher fraca e desanimada ao seu lado. Crescer, por si só já é um trabalho muito difícil, e eu conheço muitas histórias de casais onde "um carrega o outro", inclusive em minha família. Deste contexto é realmente impossível um equilíbrio e a plenitude.
Meu aprendizado é longo e começa de dentro para fora. Tenho dragões terríveis a enfrentar. Percebo claramente: minha maior inimiga sou eu mesma. O problema é que ao invés de melhorar-me aos poucos, me desprezo dia-a-dia por tudo que não consigo ser, suportar, fazer. E por mais que uma vozinha me diga: "não faça isso, Carolina" não consigo dar-lhe ouvidos.

posted by Manga Rosa| 7:39 PM
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Quinta-feira, Novembro 27, 2003
É como dormir com fome.
Pensa-se que tudo acaba, mas acorda-se com mais fome. Por mais que eu justifique ou me distraia com estudo ou trabalho, as horas de lucidez acontecem e moem minha falsa alegria deixando o bagaço da frustração.
E mais deprimente que pensar que é assim há um ano, é cogitar a possibilidade de que é assim há três, quatro, cinco... não sei. Sei que fecho os olhos e me vejo ao longe, da mesma maneira cansada, amarga e angustiada, empilhando lenta e bovinamente os tijolos do que chamam vida.
Enquanto queimo neste inferno brando, coleciono pecados e ele benesses. Sim, ele é tão bom que consegue me fazer sentir culpada por desejar mais, por me sentir carente e pela agressividade e frieza que exalam - minha reação a esta dor.
E ainda que eu grite, implore, chore, atire mil pedras neste lago, ele nem sequer oscila... As pedras são engolidas e daqueles olhos não partem uma reação sequer. Eles não choram, não reclamam, não recriminam. Uma falta de ação que me gela sem ser frio, desarma sem ser ameaçador, ignora sem ser rude e me obriga a guardar novamente todas as armas, virar as costas e seguir cansada, humilhada, sozinha.
Talvez receba um tesouro e considere uma lataria. Ou talvez guarde pedrinhas como se fossem diamantes. Tudo o que eu precisava era de discernimento, afinal, exijo muito ou ganho pouco?

Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

posted by Manga Rosa| 12:11 AM

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Terça-feira, Novembro 11, 2003
Novidades!

Primeira: Há exatamente uma semana e dois dias ele comprou um carro. Pela primeira vez vou me dar o luxo de ter alguém me levando e buscando nos lugares. Sem contar que ter um carro nesta terra significa independência!

Segunda: Acho que meu mestrado finalmente engatilhou. Tá certo que o professor é um tremendo de um safado, mas o que importa é que ficou animado comigo e eu com ele. Quero muito que 2004 seja meu ano profissional.


posted by Manga Rosa| 6:58 PM

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Sexta-feira, Novembro 07, 2003
Depois de uma semana de muita tensão, posso enfim respirar mais aliviada. Não que tenha dado tudo certo, mas se dos males aconteceu o menor, acho que só tenho o que agradecer à Deus.
E por falar em Deus, acho que estou finalmente reencontrando o centro de minha fé, onde sempre me apoiei, depois de minha família, e o único lugar onde posso me apoiar agora. Isso me faz bem, a certeza de orar e ser ouvida, pedir e receber...

No final, os pilares ficaram abalados e terei um difícil trabalho de reforma. Mas ficou a experiência, me sinto mais hábil, prática e lembro as palavras do professor de marketing: ¿você pode transformar tudo, menos a cultura de uma instituição¿. E assim será. Serei o que querem que eu seja, pois preciso deste trabalho. Vestirei a capa da mediocridade que todos vestem e me sentirei excepcional como todos se sentem.
Enquanto isso, trabalharei em silêncio minhas novas oportunidades, terminarei minha pós, farei meu mestrado. E quando o campo estiver pronto, a semente poderá ser lançada.

Ficou a certeza de que quero, como nunca, sair desta área, mas não sei como. Insistentemente a vida me oferece estes caminhos e rejeita qualquer outra coisa. Tento interpretar a finalidade de tudo, mas não consigo ou talvez não aceite. Não entendo como poderei um dia ter sucesso, sinto-me dia-a-dia afastando do que tanto desejei. E por que está sendo assim se não me acomodo? Se insisto tanto?

Dúvidas, inseguranças... é tudo o que levo comigo junto a um desejo muito grande de que no final tudo dê certo, ainda que não seja do meu jeito. O ¿certo por linhas tortas¿, também me faria feliz.

Feliz como o telefonema do meu grande amigo ontem.
- Puxa! Só agora que ouvi sua voz pude perceber como eram grandes as minhas saudades de você!
- Carol, estou precisando mais que nunca de sentar-me com vocês no banco da Elétrica e ficarmos conversando.
- Eu também, Rodrigo.
- Ouça o que estou ouvindo.
Era Chico...
E assim continuamos nossa conversa, com frases tão bem entendidas e acolhidas, onde até mesmo o silêncio era uma comunhão de sentimentos.
E como se não bastasse, sonhei com a maioria dos meus grandes amigos esta noite. Acordei saudosa e tranqüila. Com vontade de pegar uma caneta e escrever uma carta.


Ah, esse fenômeno instigante, o das amizades que se mantêm independentes da convivência.

Será amizade? Será saudade comum dos anos vividos em amizade? Será saudade dos anos felizes ou uma afinidade que se espraia no tempo? Não sei responder. Sei que com algumas pessoas (poucas), há uma insistência teimosa em desejar ver, trocar idéias e experiências, creio, pela certeza da reciprocidade e do "ser aceito".

Sim, talvez seja a certeza de ser aceito, uma das maiores necessidades humanas neste mundo de incompreensões. Talvez seja a necessidade da existência de certeza prévia de acolhimento ao que somos, como somos e ao que pensamos, o fermento da amizade.

O mistério da amizade talvez resida no alívio que traz a existência de alguém que nos acolha. Digo acolha e, não, recolha - aí já seria dependência de um lado e paternalismo do outro.

Acolher significa receber de bom grado, previamente, sem julgamentos ou resistências. É molesto o fato de que os seres humanos vivam a julgar e que suas opiniões prévias interponham barreiras na comunicação, dificultando-a.
O mistério da afinidade consiste na inexistência das resistências ao outro, mesmo quando haja discordância. Isso não deriva apenas de afeto. Quantas vezes há afeto entre as pessoas sem, porém, a aceitação natural, espontânea e prévia?

Verifique nas amizades tidas e vividas ao logo da vida, o que delas restou. Haverá muita vivência, boa e má. Raramente, porém, restará a amizade...

Com os anos, vão se tornando escassas as amizades que atravessaram o terreno íntimo que lhes é próprio sem arranhões e sem mágoas, restando, como fruto, após ingentes experiências humanas e existenciais, apenas (e já é tanto...) a amizade.

Amizade é o que resta da amizade. Se o que resta de uma amizade é amizade, então amizade é. Da verdadeira!

"Isso de amizade..."
(Artur da Távola)


posted by Manga Rosa| 10:42 AM
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Terça-feira, Novembro 04, 2003
Estou com a corda no pescoço.
Pensei que nada poderia piorar, mas aconteceu o pior.
E realmente não sei como isso foi acontecer ou se há solução.
Um monte de fatores que somaram-se e o resultado foi esta bomba.
Enquanto isso meu corpo somatiza estes problemas e eu implora `a Deus por um desfecho mais feliz, por uma reconsideração.
Como isso pode acontecer? Eu mal posso acreditar! Por que as coisas só pioram?
A revolta deu lugar a um enorme desalento. Uma vontade de sumir, desaparecer, de morrer (Deus me perdoe).
Estou vendo que novamente vou perder meu norte, se é que algum dia tive um.

posted by Manga Rosa| 1:15 PM

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Quinta-feira, Outubro 30, 2003

Quinta-feira, Outubro 30, 2003
Um dia ouvi: "o ignorante aprende com a dor, o sábio com a observação" e mesmo não querendo afirmar que sou ignorante, confesso que tenho apanhado mais que nunca para aprender.
Tenho experimentado na pele o lado mal das pessoas, o fingimento, o julgamento, o simples ignorar ajuda, que não soa como o desprezo mas é frio como a ingratidão.
Tenho caminhado como quem pisa em ovos, tentado aguçar meu sexto sentido tentando descobrir em quem confiar, perscrutando íntimos.
Mas é tudo em vão e constantemente algo me diz "Não confie. Silencie".
E eu obedeço.
Não é nada aparentemente grave.
É a vida.
São as pessoas.
Isso é viver e sei que um dia serei melhor.
Mas a maneira como a vida ensina é cruel.
Ela não tem a paciência de um pai ou o carinho de uma mãe.
Ela não perdoa nossos erros e dificilmente nos dá uma segunda chance.
E o que mais me dói é saber que meus erros são por inexperiência e inocência. Pago um preço caro demais por minha ingenuidade. Pela falta de sabedoria em aprender observando. Pela falta de malícia que nos adequa às situações, nos torna "políticos".
Os poucos conselhos caem n'alma como bálsamos. E eu logo me percebo desarmada, confiando novamente, desabafando... Será que devo?
Eu não fui criada num mundo assim. Eu não fui criada me protegendo, desconfiando. Eu fui criada em meio a tanto amor, tantos amigos que mesmo rodeada de dificuldades me sentia protegida e acompanhada.
Mas eu abandonei este mundo. Decidi construir minha vida num deserto. E só trouxe comigo Deus.
Às vezes isso me assusta.
Um calafrio me percorre o corpo quando percebo que aqui eu não tenho um passado. De repente tudo perde o sentido pois estou longe de tudo e de todos. Minha história não está aqui e não há elos ou raízes.
E se em dia algum da minha vida fui capaz de imaginar que estaria vivendo esta vida, mesmo dizendo que construímos o nosso destino, só consigo me perguntar todos os dias: " Meu Deus, onde estará o meu futuro? "

posted by Manga Rosa| 11:25 PM
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Terça-feira, Outubro 28, 2003

Permita-me, meu amigo...

"Jorge Benjor e Toquinho cantaram, uma vez, assim...

"Foi numa tarde de domingo,
Que alguém perguntando por ela chegou,
Deixando meu coração tristonho,
Enciumado morrendo de amor.
Eu falei, eu menti, eu chorei, eu sorri dizendo.

Ela mora no meu peito,
E eu moro vizinho a ela,
E eu fico desse jeito
Pensando nos beijos e nos carinhos dela
Carolina, Carol, Carol, Carolina bela."

Eu, de saudade de você, nem agüentei ler o seu post inaugural até o fim. O
que tem a ver(?) talvez vc pergunte. Bom, é que conheço um casal que mora em
Rennes, que padecia de uma doença rara chamada "incomunicabilis
sentimentare". No dia em que comemorariam seis datas, ele comprou para ela
seis rosas vermelhas, colocou em casa quando ela não estava e seguiu para o
campo atrás de lenha para aquecer o alimento.

Ela chegou, olhou aquilo, se perguntou do que se tratava. Ele, quando voltou
não entendeu a pergunta. Ao contrário de você, mas com o mesmo sorriso
desbotado, retratou o sentido de cada flor, a primeira, pela conquista -
como é bom se sentir vencido pelo amor(!) -; a segunda, pelo beijo, bom,
quente, lento, fruto; a terceira, pela cumplicidade do silêncio; a quarta,
pelo feitiço mágico que permitiu a ele olhar no espelho, ver o que era, não
se achar velho, mas homem; a quinta, pelos pequenos sonhos que nasciam dos
olhos risonhos dela.

Não falou da sexta. Preferiu que da boca dela soasse o mel. Ela deu um beijo
nele, agradeceu, foi fazer o jantar, cuidar do alimento do corpo. Ele foi
dormir com fome.

Para tentar fugir da inanição, ele planejou uma viagem, arrumou malas,
guardou os poemas. Foi morar na rua de trás, onde a vista é linda e sol
esquenta o quarto. Vive bem, até engordou, e não tranca mais a porta do
quarto por dentro.

Carol Bela.
Esta menina é um amor!!!!
Eu espero sonhando... "

Existem palavras que tocam... tocam fundo... tão fundo que arrancam lágrimas.
Para elas, talvez o silêncio seja a melhor forma de agradecer.



posted by Manga Rosa| 9:38 PM
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Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Tem coisas que rodam, rodam e a gente nem para pra dar a devida importância.
Em outras circusntâncias talvez fosse banal.
Mas hoje, gostei bastante.
Grande-Ferreiro.pps
Espero que gostem também.

Hoje, ansiedade a mil.
Estou a espera do resultado de um mestrado.


posted by Manga Rosa| 9:05 AM
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Quarta-feira, Outubro 22, 2003
Não, nada é novo por aqui.
Sou eu mesma... complicada... descomplicando...
Sexo frágil no momento. Mais frágil do que nunca.
E se a casca é diferente, o miolo ainda é o mesmo.
Nenhum revolução, nenhuma evolução.
E até mesmo o que era pra ser uma novidade veio confirmar o previsível.
Os seis anos chegaram hoje e como eu esperava nada aconteceu.
Ele não se lembrou e eu fiz questão de esquecer.
E percebo que tão pouco convincente quanto este namoro desbotado é o meu sorriso e a satisfação por esta vida que escolhi.
Mas fecho os olhos e espanto todaS as frustrações que carrego em busca de bons sonhos. Afinal, o dia 21 já terminou. E com ele enterro o que havia - ou não havia - para ser comemorado.

Fica meu pensamento de amor para minha mãezinha amada que fez aniversário também nesta data e trouxe ao meu dia pensamentos felizes misturados a lágrimas de saudades.

Triste quando o que queremos não é e o que é não temos perto.

Eu queria muito poder tê-la abraçado hoje....

posted by Manga Rosa| 12:36 AM

posted by Manga Rosa| 1:06 PM

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Sexta-feira, Outubro 17, 2003

Pensei que minha maré de azar já tinha passado.
Estou esperando só o final de semana chegar para abrir a boca e meter a língua nos dentes (aqui, é claro)!
Tenho duas opções: acreditar que sou um fracasso e me frustrar ou me revoltar contra o sistema e acreditar que tenho razão.
Sinceramente prefiro a segunda, mas percebo que minha baixa auto-estima quer me fazer acreditar na primeira. E a todo momento me pergunto: "Mas será que não sou eu quem está errada?"
Ele tem me ajudado muito. E continuo a me perguntar: "Será que ele tem razão ou quer apenas me consolar?"
Bosta de vida, viu?!?
Tem horas que tudo resolve dar errado junto. E eu me vejo começando novamente do zero.

Mas calma, respira.... respira....
Pois dizem que no final dá tudo certo.

posted by Manga Rosa| 4:13 PM

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e daí?
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A voz da vida em mim, não pode alcançar o ouvido da vida em ti. Mas falemos, para que não nos sintamos solitários. (Kalil Gibran)